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terça-feira, 30 de abril de 2013

Argo


O ano é 1979 e o país é o Irã. A situação é a Crise de Reféns e as vítimas são 6 dos 60 funcionários reféns que conseguem escapar. Os fugitivos são acolhidos por um embaixador canadense, no Teerã. O problema é que eles estão sendo caçados e com certeza não poderão sair do país vivos.
Como entrar no país e tirar esses 6 funcionários do esconderijo? Fácil: criando um filme falso de ficção-científica, que usará o Irã como locação e dar esses funcionários identidades falsas e funções específicas no filme, disfarce que garantirá a saída deles do país sem que sejam reconhecidos. Arriscado? Muito. Mas essa é a ideia que o agente da CIA Tony Mendez (Ben Affleck) tem e decide executar. E assim surge Argo, o filme que nunca foi feito, idealizado para a missão jamais contada, guardada a sete chaves e que há mais de uma década foi revelada.
Em uma era onde Hollywood aposta anualmente em remakes, reboots e adaptações de quadrinhos e livros juvenis, Affleck (que também é o diretor do filme) nos traz uma trama original, bem dosada que varia entre o humor e suspense, recheados de muita, mas muita tensão. É a ideia original, sobretudo, que é um dos grandes trunfos de Argo, filme que entre outros prêmios, levou o cobiçado Oscar de Melhor Filme. Você pode até achar que foi uma premiação desmerecida, por achar que haviam filmes melhores, mas em uma coisa tem que concordar comigo: Argo é um filmaço!

Os personagens são bem desenvolvidos, o roteiro é bem coeso, as atuações muito boas e a direção muito bem objetiva e determinada. A trilha sonora é muito boa, a fotografia também.
Muita gente chiou quando Ben Affleck ganhou os principais prêmios das principais premiações da sétima arte (Oscar e Golden Globe), mas o grande trunfo de Argo está em sua ideia totalmente cativante e original. E mais: não pense que Argo é somente mais um filme de suspense super patriota. Não não, ainda sobra espaço para uma baita homenagem a Hollywood e suas produções de ficção-científica, com a presença ilustre de John Chambers (John Goodman), entre outras referências ao cinema.
Argo é um filme simples, cativante e emocionante. Uma prova de que Ben Affleck tem futuro como diretor e de que ainda podem existir ideias boas e inovadoras na cada vez mais não-criativa Hollywood.







quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Homem Dos Punhos de Ferro




Durante a vida acadêmica, nós, jovens gafanhotos, estudamos as escolas literárias que marcam o momento social de cada época. Refrescando as memórias, temos, por exemplo, o Barroco, que marca o momento histórico da contra-reforma, os neoarcadistas que buscam o equilíbrio na estética dos clássicos antigos durante um período de mudança no pensamento humano. A questão é: por que este interlocutor que vos fala teve que dar uma “aula” de português/historia no paragrafo de introdução de um critica de um filme atualíssimo?

Bem, costumo dizer que o épico Quentin Tarantino é o meu diretor/roteirista preferido e que o considero como Einstein das películas. Acontece que, Quentin apresenta um estilo de filme que até então nunca havia sido explorado, que para abruptos, não passa de sangue e personagens sarcásticos (os famosos “Badass”). Sabemos que , não é bem por ai, e o estilo considerado “indigesto” pelos primeiros críticos mais conservadores, vem desde os anos 90 acumulando Oscar  e premiações diversas. Seguindo o ponto de vista de que tudo que é bom se torna referência, podemos aqui dizer que com o filme O Homem Dos Punhos de Ferro presenciamos uma obra da “Escola Tarantinesca”. Isso mesmo, amigo, no decorrer deste texto pretendo analisar o filme e apresentar meus argumentos de mero admirador apaixonado pela sétima arte.

O Homem dos Punhos de Ferro é um filme dirigido por RZA (estreia do rapper como diretor) e tem roteiro escrito pelo mesmo RZA e Eli Roth (ator de Bastados Inglórios e diretor de O Albergue), onde a trama se passa em uma China feudal, onde Darius Smith (RZA) é um ferreiro de passado escravista, que se torna um defensor dos camponeses. No roteiro vemos a primeira influencia tarantinesca mesmo que em proporções mínimas, três personagens, cada um com historias diferentes que se envolvem em um ponto, apesar de que, com exceção de Smith que tem sua história completamente relatada no filme, dos outros dois personagens, X-blade e Jack Knife (Russel Crowe) se têm apenas conceitos e traços de suas personalidades.

O filme segue a linha do Kung-fu que eu costumo chamar de “Sobrancelha Branca”. Muita pancadaria, história clichê, ações lineares, monges, hadouken, etc. Realmente, sobre o roteiro não há nada de brilhante, uma história modesta, porém, amigo, pra quem é fã dos clássicos tarantinescos, os elementos ainda assim são fascinantes, o uso do sangue a ponto da banalidade é um dos pontos mais incisivos que se deve ressaltar, embora os personagens não tenham sido bem construídos e isso “comba” com a pobreza da história, trazendo um filme tímido até de mais. Sobre os personagens, Jack Knife é um dos poucos que chegam a ter um pouco de carisma pelo seu sarcasmo e postura totalmente despojada, porém a linearidade da história não permite que isso se aprofunde a ponto de ser genial a nível Tarantino.


Outro ponto que evidencia a natureza hermética do filme é a própria composição dos personagens, que se assemelham exacerbadamente com os famosos de Mortal Kombat (sem comentários)! Por exemplo, Madame Blossom interpretada por Lucy Liu ( Os anos são generosos com a Pantera) e o próprio Black Smith (RZA) são os irmãos menos bizarros de Kitana e Jax respectivamente, dando um aspecto de “Crossworlds” completamente desnecessário. Trilha sonora do filme é o hip hop mixado com trilhas orientais, uma boa sacada, mas ofuscada pelos outros erros técnicos grotescos.





Pode-se considerar que a estreia de RZA na telona por trás das câmeras foi fracassada na sua essência. Ao levar o nome de Quentin Tarantino espera-se sempre algo muito bem elaborado, e não é o que encontramos na trama, aspecto diferente do seu colega de segmento Robert Rodriguez (Sin City, e saga Um Drink no Inferno, além de ser meu "primo") que tende pelas mesmas diretrizes do mestre e nos trás até agora trabalhos no mínimo feitos com certa percepção e habilidade.

No fim, O Homem Dos Punhos de Ferro é um filme tímido que pode causar descontentamento ou irrelevância para fãs de "cinema bem aplicado" e que pode muito bem ser assistido com os brothers, por puro divertimento. Vale a pena a conferida, pela ousadia de seguir uma vertente com fãs tão exigentes.

NOTA MECÂNICA: 6,0

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Invenção de Hugo Cabret



Caros, antes de começar a falar sobre este belíssimo filme de Scorsese,  quero dizer que estou emocionado. Mas emocionado mesmo, maravilhado, eu diria. Embasbacado. Impressionado. Tudo com "ado" que consiga descrever minha sensação ao terminar de ver Hugo Cabret.
Pronto, agora sim, podemos falar sobre esta pequena obra-prima do novo cinema. A história, baseada no livro homônimo, conta a história de Hugo(Asa Butterfield), um garotinho órfão que vive dentro de um relógio em Paris. Ele é solitário e sua única companhia é a de um homem-máquina (uma espécie de Pinóquio mecânico) que seu falecido pai (Jude Law) lhe deu. Para "ligar" a máquina, Hugo precisa de uma chave que não lhe pertence. A expectativa de ligar o homem-máquina é grande, pois Hugo acredita que ele traga uma mensagem do próprio pai. Mas o que vai descobrir é algo muito maior que isso.
Scorsese, conhecido por filmes como Taxi Driver, Touro Indomável e Os Infiltrados, nos entrega um filme infantil altamente recomendado para todas as idades e amantes de cinema em geral. Aliás, ao assistir a Hugo Cabret, ficou-me a dúvida, se realmente os pimpolhos iriam se identificar ao filme. Embora misture gêneros, efeitos sonoros, cenas coloridas e um certo toque de "magia", o filme tem uma trama bem complexa para a cabeça dos guris. Mas esqueçamos faixas etárias (sei que vai agradar a todos no geral), atuações (excelentes) e fotografia (belíssima, a prova de que uma versão live-action de Tintim pode ser feita) e nos apeguemos ao que o filme tem de mais belo: o cinema. Hugo Cabret começa sendo uma dessas historinhas de órfãos com seu "brinquedo mágico" que a gente vê na Sessão da Tarde e termina sendo uma grande homenagem ao cinema. Mas homenagem mesmo, sabe? Daquelas que faz cinéfilo se arrepiar.
O motivo de tal homenagem? Simplesmente um dos personagens principais do filme (e o destaque da trama, pra ser mais específico) é George Méliès, velho e esquecido. Não posso expressar minha surpresa e emoção ao ver Viagem à Lua (1902) foi retratado. Mas eis que a surpresa só aumentaria. Toda a obra de Méliès está ali, e no fim, Hugo Cabret acaba sendo uma jornada cinematográfica, ao início do cinema. Ao início mesmo, sabe? Impressionante como um filme de aventura e fantasia torna-se documentário, depois vai para a ficção-científica e transita entre gêneros tão belamente.
Hugo Cabret é uma verdadeira mensagem de agradecimento, não só a Méliès, mas ao cinema em geral.
Uma história sensível, encantadora, cinematográfica. Uma viagem ao início do cinema está te esperando, e assim como o homem-máquina, você só precisa da chave do coração para aprecia-la.

NOTA MECÂNICA: 9,5

domingo, 20 de janeiro de 2013

Branca de Neve e o Caçador



Eis que a onda de readaptações de clássicos da literatura varre Hollywood! Vão-se Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, os próprios irmãos Grimm (?!) e agora Branca de Neve, que em 2012 chegou em dose dupla com o agradável e ingênuo Espelho, Espelho Meu e o filme em questão, o sombrio e tecnicamente épico Branca de Neve e o Caçador.
O trailer animava, mas a ideia de ter mais um filme com Kristen Stewart indecisa sobre dar seu coraçãozinho a dois bonitões já tava enchendo. Mas, por causa da proposta, lá vamos nós assistir ao filme!
E, meus caros, digo-lhes que o resultado final é bem bacana!
Primeiramente, que a trama é muito original e diferente das histórias da branquela divulgadas por aí. O filme do novato (e talentoso) Rupert Sanders é sombrio, violento (não graficamente falando, lembre-se que este filme deseja atrair as atenções das famintas fãs de Crepúsculo e Cia.) e - pásmem - épico!


Sim, conseguiram dar uma profundidade imensa à trama! A personagem da Rainha Ravenna é muito bem escrita, carismática, maligna. E eu que sempre considerei a Charlize Theron um rostinho bonito no cinema (perdoem-me, nunca assisti Monster), tenho me impressionando. Ela é a melhor em cena, assim como a mais bela (não entendi como a Branca de Neve de Stewart é a mais linda do reino, mas "vamos'imbora"!

 A trama pega um pouco da história base. Está lá a Rainha do bad, o espelho (retratado aqui de forma bela e criativa), a mocinha (que aqui ganha ares messiânicos), o príncipe, o caçador (que deixa de ser um zero à esquerda de coração mole para ser um dos bonitões da trama e certamente o personagem masculino mais interessante, embora não tão bem trabalhado) e os oito (?!) anões. É isso mesmo, oito. Sem perguntas.


Pelo o que vimos acima, os personagens são os mesmos e coisa e tal, só que o longa de Sanders adiciona ares "tolkien" à trama, colocando trolls, criaturas da floresta e um bambi branco, tipo aquele que os irmãos Pervensie perseguem no fim de O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa. Não lembra? Tudo bem.
A fotografia do filme é belíssima, locações reais muito bem aproveitadas. O figurino é soberbo. O filme consegue ser estiloso demais! O roteiro tem suas "soluções mágicas" para alguns probleminhas, mas pra um filme do cinema high concept a trama é até bem resolvida. Os alívios cômicos (e o carisma que falta nos personagens masculinos da trama) são jogados para os anões, que dão um show imenso e roubam todas as cenas em que aparecem!
Stewart trabalha bem, convence. Sua Branca de Neve tá mais pra Joana D'Arc, ela não é aquela princesinha com um modo Disney de viver. Theron dá um show, Chris Hemsworth e Sam Claflin cumprem seus papéis, no pseudo-triângulo amoroso. Há uma leve tensão entre os três, nada mais. Um alívio!
Efeitos especiais muito bem trabalhados, cenas realmente bem dirigidas, um bom elenco e uma trama original para uma história tão batida, garantem pontos positivos para o filme. Tem seus defeitos? Sim, certamente. Mas se essa nova onda de readaptações seguirem a linha proposta por Sanders, serão muito bem-vindas pela minha pessoa.

NOTA MECÂNICA: 8,0

Valente



A Pixar é referência no mundo não só das animações mas cinematográfico em geral. Com suas ideias simples, argumentos para todas as idades e histórias impressionantemente maduras, as animações da empresa vêm encantando gerações desde a década de 1990.
A empresa vinha com ótimos materiais, sempre com distribuição feita pela Disney, até que essa última comprou a Pixar (como vem fazendo com tudo o que dá dinheiro no ramo do entretenimento ultimamente).
E agora, o que seria das animações da Pixar? Cairiam no gosto da Casa do Rato? Virariam meras produções comerciais, sem história, com objetivo de vender brinquedo?
Confesso que pensei que isso aconteceria quando assisti o trailer de Valente (Brave) ano passado. Não parecia uma animação da Pixar. As ideias originais de Toy Story (minha animação favorita), Procurando Nemo, Ratatouille e do excelente Os Incríveis não pareciam estar na trama, enxuta, com uma personagem principal feminina (coisa rara!) e ainda... medieval? Sim, Valente é uma animação com cara de 'Disney', uma forma de desmitificação de uma de suas princesas de contos de fada, que ao invés do glamour e da espera pelo príncipe encantado, foge de casamento, gosta de arco e flecha e tem desentendimentos com a mãe.
Começo do filme somos apresentados aos personagens, a trama logo se estabelece e somos conhecemos o já citado acima desentendimento mãe-filha, que acaba com palavras de ofensas por parte da pimpolha. Nesse momento, pensei "pronto, está aí estabelecido o conflito psicológico do filme, que resultará nas duas virando grandes amigas após a filha se redimir e dizer que ama a mãe, logo no fim do filme". Fórmula típica, que já vimos em Procurando Nemo, Selvagem (animação fraquinha que a Disney fez sozinha), O Galinho Chicken Little (idem), Thor (?!) e coisa e tal.
Mas eis que a animação da Pixar tem seu forte: ela surpreende! Não é uma história de aprendizado para Merida (a personagem principal). É uma história de aprendizado para a mãe, que acaba virando um urso e caçada pelo próprio esposo, o rei.
A animação consegue ter bons momentos, um roteiro coeso que vai fazer a garotada curtir demais e os adultos também vão gostar (como em todo filme da Pixar, agradando geral).
O problema aqui, é que o filme acaba e a sensação de ter visto um filme da DreamWorks fica. Não que essa tenha animações ruins, pelo contrário, mas a Pixar não tem cara de filme medieval com princesas, bruxas e encantos. Eu esperava algo mais original, não vou negar.
Ainda assim, Valente é recheado de bons momentos, ótimas canções, alguns alívios cômicos bem encaixados (os irmãos trigêmeos de Merida são uma graça), a trilha sonora somada aos belos cenários escoceses retratados, a qualidade técnica da animação muito bem texturizada (os cabelos de Merida são um show), tudo muito bem feito. No fim, a lição de moral vem, a emoção também, tudo na dosagem certa. Valente é uma animação acima da média, bem melhor que muitas que vemos por aí. Mas ainda assim, deixou a desejar, por receber o selo da Pixar Animations.

NOTA MECÂNICA: 8,0

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Holy Motors



Caros leitores, estou decidido a viajar para Paris. Primeiro que lá é o lugar dos amores memoráveis (como em Casablanca, 1942), segundo que lá a partir das zero horas, rola uma viagem no tempo muito bacana (Midnight in Paris, 2010). E mais recentemente, porque descobri que lá existem limusines com vida própria, atores que vivem várias e várias vidas em um só dia, homens que matam a si mesmos e não morrem. Achou muito louco? Bom, os primeiros exemplos são justificáveis, visto que são clássicos. O terceiro exemplo, pode ter certeza, se tornará um clássico: Holy Motors é a nova sensação dos cinéfilos.
O filme que foi vaiado por uns e aplaudido por 10 minutos(!) no Festival de Cannes não é uma obra para qualquer um. E vou avisando: não é um filme para ser entendido e sim contemplado.
Holy Motors não é um filme com uma história com linearidade ou explicações. Durante os quase 120 minutos de filme, não procure entender as coisas, somente aprecia-las. Ao final da película, a tão esperada explicação do porquê de tudo aquilo estar acontecendo não vem. Por isso as vaias e exatamente por isso os aplausos.
Holy Motors surgiu para acabar com tudo o que vem sendo feito até hoje. Carregado de críticas e mais críticas, surrealismo e imaginação, o filme francês é uma afronta a tudo o que Hollywood tem feito ultimamente.
Na trama - que pode ter várias explicações ou interpretações, não interessa -, Oscar é um homem que passa seus dias dentro de uma limusine, rondando a cidade. A cada parada, ele tem uma pessoa para "interpretar", viver sua vida. O filme se resume a acompanhar um dia da vida de Oscar, cumprindo 9 "missões". Ele vira duende, mendigo, assassino, velho à beira da morte, ator de motion capture e mais. A cada parada, sai um "novo Oscar", peruca, maquiagem, roupas, tudo mudado. É incrível a mudança que o ator Denis Lavant sofre a cada "missão". E é incrível também o Oscar que ele faz. Cansado, abatido, sem rumo. Holy Motors se torna grande por causa da atuação de Denis.
Mas não é só de Lavant que é feita a obra. Todos os atores estão de parabéns, todos enigmáticos, misteriosos. O diretor Leos Carax vai te instigando a adentrar nos mistérios dessa Paris desconhecida cada vez mais, esperando uma explicação que nunca chega. Um certo jornalista comentou "[Holy Motors] é incompreensível, mas quem se importa?!" e é com esse espírito que devemos ver o filme.
Não espere uma trama elaborada, diálogos inesquecíveis, ação ou trilha sonora retumbante. Talvez o filme perca sua força perante o público por causa disso: Holy Motors não é um filme para todos. É um filme para amantes do cinema, amantes da arte. Sim, por fim, o filme é uma homenagem pra lá de original e estilizada ao cinema. Há ficção científica, assassinato, musical, erotismo artístico e mistério. Muitas vezes sem diálogos, esperando uma interpretação própria de cada espectador, como no melhor estilo do cinema surreal de Luis Buñuel com seu "Anjo Exterminador" ou de Zack Snyder, com seu mal compreendido Sucker Punch - Mundo Surreal.
É provável que você, caro leitor, não goste do filme. É provável que deteste-o e me ache um louco. Tudo bem, Holy Motors entende. Ele sabe que não é um filme comum, que é um filme para poucos. O importante aqui, é saber apreciar as cores, os enquadros, a trilha sonora, as interpretações e as críticas que Carax faz tão bem, a um cinema que nos deixa como os espectadores na sala de cinema do início do filme: adormecidos, acomodados. Holy Motors vem fazer alusões às máscaras, ao comum, à vida.

NOTA MECÂNICA: 8,5

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada


No início do século XXI estreava nos cinemas a talvez maior franquia cinematográfica desde Star Wars (eu mesmo a considero a melhor de todas), O Senhor dos Anéis. A Sociedade do Anel, primeira parte da franquia, estreara em 2001, seguida de As Duas Torres em 2002 e O Retorno do Rei, em 2003.
Logo, as aventuras do pequeno hobbit Frodo Bolseiro juntamente com os guerreiros da Sociedade do Anel em busca da destruição do Um Anel viraram fenômeno em todo o mundo, criando uma legião de fãs não só dos filmes mas trazendo novos adeptos aos livros de J.R.R. Tolkien, escritor das sagas sobre a Terra-Média.
O Senhor dos Anéis são três livros que fazem parte de tais sagas, mas sempre houve a dúvida do porquê de os estúdios resolverem trazer logo as aventuras de Frodo e companhia para as telonas, quando O Hobbit, livro que conta uma história anterior e que é igualmente bom e épico (considerado por alguns até o melhor de todos) não seria adaptado.
Pois bem. Após Peter Jackson fazer grana, sucesso e conquistar ao todo 17 estatuetas do Oscar com sua trilogia, era hora de Hollywood fazer dinheiro em cima da mesma fórmula. Guilhermo Del Toro foi então chamado para dirigir O Hobbit. Protocolo, trabalhos alheios e questões por aí no entanto, afastaram o diretor de Hellboy ainda na fase do roteiro, e Jackson foi novamente convocado para dirigir essa espécie de epílogo.
Pra quem esperava um filme menor (com a desculpa de que continuações ou ideias "repetidas" dão lixo no cinema) ou até mesmo mais bobo (por conta de O Hobbit ser um livro infantil, que Tolkien escreveu para seus filhos), há de pagar-se algumas línguas. Jackson nos entrega um filme tão épico quanto ou até mesmo melhor que a saga do Um Anel.
Aqui, conta-se a história de Bilbo Bolseiro, tio de Frodo e personagem secundário da primeira trilogia. Jackson trata de fazer as adaptações e apresentações necessárias, até mesmo acrescentando coisas que não estão no livro, tudo para criar uma conexão com a saga passada.
Bilbo (Martin Freeman) é um pacato hobbit que, convocado pelo mago Gandalf (Ian Mckellen) embarca em uma grande aventura atrás de um tesouro guardado pelo dragão Smaug (Benedict Cumberbatch). Em sua companhia, vão os anões  Bofur, Ori, Kili, Fili, Dwalin, Oin, Bombur, Dori, Gloin, Balin, Nori, Bifur e o líder Thorin, Escudo de Carvalho.


Não há tanta coisa a ser observada no filme, podendo ser resumido no seguinte argumento: quem dorme assistindo ou não suporta O Senhor dos Anéis vai sentir o mesmo com O Hobbit. Já quem amou a trilogia inicial, vai ter aqui um prato cheio, tanto pra fãs de Tolkien como para fãs de filmes épicos em geral!
Por ser um livro infantil, O Hobbit não é tão sombrio ou violento como O Senhor dos Anéis, o que dá espaço a momentos musicais muito bem executados e também a piadas a todo o momento, transformando a aventura em algo mais leve e acessível a todos.
Quem não entendia bulhufas de nada sobre a Terra-Média em OSDA, aqui terá mais explicações sobre tudo, visto que esta história vem antes da filmada inicialmente. Aqui há a apresentação de vários personagens das outras sagas, algumas ligações que o próprio Jackson criou, inspirado pelo roteiro de Del Toro.
Os efeitos especiais são um show à parte. Se em OSDA já vemos um esplendor de CGI, aqui em O Hobbit a técnica é muito mais elaborada, e todos os personagens fantasiosos são feitos com qualidade excepcional pela Weta Workshop. Só achei ruim que os orcs outrora interpretados por atores maquiados tenham sido substituídos por atores com captura de movimento, ou seja, digitais.
Outra coisa que também é resultado da evolução tecnológica: os cenários reais não aparecem tanto, dando lugar a muitas paisagens digitais, porém belas.
A câmera usada é novidade e dá um aspecto mais fluído (e ligeiro!) aos personagens. Veja bem: 1 segundo de video, equivale a em média 24 frames (ou "imagens", "fotos", como queira), cada um a centésimos de segundo. Em O Hobbit, são 48 frames por segundo, dando um resultado diferente até mesmo na qualidade da imagem. Note que "diferente" não é sinônimo de "ruim". Logo nos acostumamos e nem reparamos nada de frames, segundos ou coisa do gênero!
Atores excelentes, cenários e efeitos especiais super bem feitos e roteiro coeso são suficientes para criar um grande filme de aventura, mas filme épico que se preze precisa de trilha sonora grandiosa! Todos os filmes da saga passada foram premiados com estatuetas por trilha sonora e com certeza com O Hobbit não será diferente. A trilha sonora é estupenda! As músicas dos anões, o suspense, a magnífica música cantada por Thorin e até mesmo a já conhecida "trilha sonora do Anel" marcam todo o filme, sempre encantando.



No fim, O Hobbit é uma grata surpresa de fim de ano, valeu muito a pena esperar anos pra assistir! Está aí para prestigiar os fãs, atrair os mais novos, marcar a sétima arte e quem sabe ganhar algumas estatuetas? Que venham os próximos filmes dessa nova trilogia preciossssssa!


NOTA MECÂNICA: 9.0

sábado, 27 de outubro de 2012

O Espetacular Homem-Aranha


A ideia de ter um reboot (ou reinício) da franquia do Homem-Aranha nos cinemas apenas 5 anos após o último filme (da trilogia dirigida por Sam Raimi) assustava qualquer cinéfilo, nerd, fã de quadrinhos ou expectador em geral. Afinal, embora não fosse tão fiel aos quadrinhos, a franquia iniciada em 2002 cumpria muito bem o seu papel perante o público,  agradando a todos.
Quando foi anunciado o recomeço da franquia, desta vez dirigido por Marc Webb (que dirigia clipes do My Chemical Romance e Green Day e que em 2009 nos entregou o excelente (500) Dias com Ela), estrelado por Andrew Garfield (que por enquanto é conhecido apenas como "o brasileiro de A Rede Social") e Emma Stone (atriz conhecida e bem talentosa) era óbvio que todo mundo esperasse uma bomba, um filme fraquíssimo que nunca superaria a franquia Raimi (refiro-me aos dois primeiros, porque o último foi uma simples porcaria). E cá pra nós, na minha humilde opinião: o resultado foi excelente e o filme é sim melhor que os anteriores. Adiante explicarei porque, mas agora, uma dica pra você que ainda não assistiu: esqueça os filmes passados, esqueça totalmente, tenha você gostado deles ou não. O Aranha de Webb é diferente, não é um remake, é simplesmente uma nova visão do herói (assim como acontece direto nos quadrinhos)!
Assim, deixemos de lado a ideia de comparar ambas as franquias (embora algumas comparações sejam inevitáveis) e assistamos O Espetacular Homem-Aranha com a mente aberta!
A nova história mostra uma versão totalmente inspirada no Universo Ultimate dos quadrinhos (que é aquele em que Peter Parker é adolescente e namora Gwen Stacy) e focada não no Cabeça de Teia e sim em Peter Parker. Para isso, Webb usa de uma abordagem que não funcionou muito nos anos 90 mas que é a base para a já citada linha Ultimate: quem eram os pais de Peter? Qual a verdade sobre a história deles?
O Peter de Garfield é diferente do de Maguire. Aqui, ele é um garoto nerd (mas nerd mesmo, não looser, como o antecessor) que vive atormentado pela dúvida de quem eram os pais. Alguém que desde antes de ser picado por uma aranha geneticamente modificada já demonstrava dotes super-heróicos comuns, como sede de justiça. Sinceramente adorei ver isso neste Peter, a vontade de desafiar os valentões do colégio mesmo sabendo que está em desvantagem. Outra coisa que criticaram mas que curti: o fato de Peter ser um skatista. O fato do cara andar de skate não o torna menos nerd, ou menos lerdo, simplesmente o atualiza pro mundo de hoje, demonstra que ele já não era nenhum sedentário e que ele estava acostumado à adrenalina. O Peter do novo filme é totalmente cool! Aliás, o filme o torna-se pop por causa dele, carregado de referências, desde o velho pôster de Eistein no quarto (presente nos quadrinhos), até trilha sonora com Coldplay enquanto anda de skate além de ter um pôster de Janela Indiscreta no quarto, clássico de Hitchcock. O novo Peter é muito legal!
A Emma tá perfeita como Gwen. Parece que saiu dos quadrinhos, jeito, figurino, tudo! As cenas dos dois juntos, os diálogos super meigos (do jeito que só Webb sabe fazer, vide "(500) Dias..."), tudo muito parecido com os quadrinhos Ultimate.
Tio Ben e Tia May (Martin Sheen e Sally Field respectivamente) não têm tanta presença como na trilogia antiga, mas seus atores os incorporam de tal forma que assumem não só a figura de tio mas também a imagem de pais para Peter (no antigo, estavam mais para avô e avó). Todos os momentos de Peter com Tio Ben são marcantes!
A construção dos personagens, o clima colegial, tudo muito agradável e bem feito.
A trama também está bem construída, não tem aquelas improváveis coincidências dos outros filmes, e há um clima bem mais realista (embora o vilão seja o Lagarto), sendo uma prova disso o uso dos lançadores de teias (bem mais fieis às revistas em quadrinhos e mais realistas).
O vilão também decepciona. Rhys Iffans ingresso de filmes de comédia (você acredita que ele é o inquilino que mora com o personagem principal em Um Lugar Chamado Notting Hill?) está super bem no papel e seu Lagarto (ao contrário do das HQ's) não é uma fera descontrolada e sim um lado meio Mr. Jekyll do personagem, obcecado pela perfeição da raça humana.
Agora falando do herói que dá nome ao filme: este é o Homem-Aranha que eu queria ver! É incrível, a estrutura física, o uniforme feito por Parker e principalmente as piadas. As cenas dele vestido e lutando seja contra bandidos ou seja contra o Lagarto e fazendo piadinhas são muito iguais aos quadrinhos! As poses que ele faz no ar, os movimentos são McFarlane puro!
No fim, O Espetacular Homem-Aranha não é tão grandioso quanto os filmes da trilogia antiga, mas consegue superar-se, por mostrar um lado humano, real que nenhum dos outros filmes mostrou. Tem capacidade aí pra seguir com mais excelentes tramas e com certeza eu assistirei. Talvez decepcione aos nerds das décadas de 70, 80 e 90, mas a geração que cresceu com os quadrinhos do universo Ultimate e com os desenhos da TV... Nossa, o filme é Espetacular!

NOTA MECÂNICA: 8,5

domingo, 29 de julho de 2012

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Em 2005 um homem chamado Christopher Nolan lançava um filme que mudaria para sempre o ramo "filme de super-heróis", ou melhor: daria um padrão a ele. O mundo cinematográfico ficara encantado com o estilo impresso no universo do Homem-Morcego por Nolan, em Batman Begins, estilo esse próprio, realista e mui agradável, nada comparado ao Batman de Burton ou à catastrófe que foi o de Schumacher, por exemplo.
Um filme de heróis sombrio, pessimista, sério, policial. Nada comparado ao que já tinha sido feito antes.
Em 2008, veio o ápice da carreira de Nolan: Batman: O Cavaleiro das Trevas.
Com novamente Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman, o filme brilhou, graças à trama complexa e inteligente e principalmente à magistral interpretação do finado ator Heath Ledger como o vilão Coringa, papel que rendeu o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante a Ledger.
Até hoje, ao assistir O Cavaleiro das Trevas, é fácil pensar que aquele filme não pode ser superado. Direção, fotografia, trilha sonora, elenco, tudo, tudo impecável. Um dos meus filmes favoritos, admito.
Mas eis que Nolan presenteia-nos com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.
O fim da saga. O ápice da trilogia. O término da lenda.
Mas como se terminar uma lenda?
A resposta é dada por Nolan no decorrer dos 167 minutos de projeção, aquelas famosas "quase 3 horas" que não te deixam piscar. O ritmo do filme é frenético, ápice após ápice, tensão sob tensão.
Na trama, após o fim do segundo filme, com Batman assumindo injustamente a culpa pelos assassinatos de Harvey Dent para não lançar uma imagem ruim ao promotor que representava a esperança de Gotham, Bruce Wayne enfrenta um hiato de 8 anos sem usar novamente o capuz do morcego. Há um clima enganoso de paz no ar, e Wayne esconde-se da sociedade, sumindo misteriosamente. E então, surge Bane, um terrorista que não quer simplesmente semear o caos na cidade: ele quer vê-la explodir (literalmente) em ruínas. Treinado pela Liga das Sombras, Bane mostra-se um adversário a altura (ou superior) ao próprio Batman, pondo Wayne num dilema: até que ponto deve sacrificar-se por sua amada cidade? A ponto de dar sua vida por ela, talvez.
Com algumas explicações para que o expectador se situe logo no início do filme, "...Ressurge" tem um ritmo próprio, similar ao do segundo filme, porém mais trágico.
Há um clima de pessimismo maior. A cada conversa de Alfred com Bruce Wayne sente-se que aquilo terá uma tragédia no fim. Nunca me emocionei tanto num filme de super-heróis como quando sentia a preocupação do mordomo com o patrão, o medo de alguém que não quer perder aquele a quem viu nascer e de quem sempre cuidou.
Os personagens são super bem resolvidos. A história de Bane é chocante, convincente. Assim como a dos personagens secundários. O vilão Bane, não pode ser comparado ao Coringa de Ledger. Tom Hardy consegue extrair emoção sem usar o rosto (já que o personagem respira com o auxilio de uma máscara) e o vilão não tem escrúpulos: um assassino frio e treinado para concluir seu objetivo. Não tem o carisma do Coringa de Ledger, nem os mesmos fins. O Coringa queria ver "o circo pegar fogo", e Bane quer liquidar Gotham. Ambos, excelentes vilões.
Destaque aqui para John Blake (Joseph Gordon-Levitt) em um papel aqui tão interessante como o do próprio protagonista. Outro destaque também, para Selina Kyle/Mulher-Gato (Anne Hathaway) que nos entrega aqui a melhor Mulher-Gato já vista no cinema, em uma interpretação única, cínica, arrebatadora. Impossível não gostar da ladra. As cenas dela com Batman são de uma química incrível, aí entendemos a queda que o Morcegão tem nos quadrinhos.
Aliás, referências aos quadrinhos é o que não falta. Sem querer estragar, mas tem referência ao Crocodilo, Poço de Lázaro e a um personagem muito importante nas histórias do Homem-Morcego.
As cenas que o Batman e a Mulher-Gato lutam juntos são de tirar o fôlego, de calar a boca de quem reclamava que os filmes de Nolan não lembravam em nada os quadrinhos.
De tirar o fôlego também é o clímax do filme, totalmente épico. O final mesmo, sem palavras! Emocionante!
No fim, "..Ressurge" não é só uma aula como fazer filme de heróis, não é só mais uma emocionante história de superação, não é só mais um brinde aos cinéfilos e nerds. O filme é uma obra-prima que fecha com chave de ouro a trilogia de Nolan. Por mim, ganharia até Oscar!
No fim, o gostinho de quero mais é incontrolável, uma vez que um leque de opções abre-se ao universo criado por Nolan. A saudade dos personagens bate. Para os mais fracos, as lágrimas rolam. E o sentimento de eterno agradecimento a Nolan é inevitável.

NOTA MECÂNICA: 9,5

sábado, 26 de maio de 2012

Poder sem Limites




Poder sem Limites” (Ou Chronicle, como é o título lá nos EUA), dirigido por Josh Trank, é mais um filme do estilo “filmagem encontrada”, “câmera na mão”, “Hand movies” ou seja lá como chamem esse estilo de cinema, que apareceu no estrelato com A Bruxa de Blair e ultimamente vem aparecendo bastante,  em filmes como REC, Cloverfield – Monstro, Distrito 9 e o recente Projeto X.
Todos esses filmes tentam inovar no estilo, e o único que talvez tenha feito dar certo agora foi Distrito 9, e o razoável Cloverfield. Ou melhor, que mais deu certo até agora, porque Poder Sem Limites consegue ser o melhor filme de câmera na mão já feito.
A trama acompanha Andrew (Dane DeHann), seu primo Matt (Alex Russel) e o amigo popular Steve (Michael B. Jordan), três jovens que durante uma festa, acabam encontrando uma cratera causada por um meteorito, cujo contato concede a eles poderes telecinéticos.
A história é “filmada” por Andrew, que compra uma filmadora e quer a partir daí registrar tudo o que acontece em sua vida, desde sua mãe à beira da morte, às loucuras de seu pai bêbado.
Agora, com os poderes, os garotos tem que saber lidar com a dádiva. Ou seria maldição?
Josh Trank sabe aproveitar o melhor do gênero, e cria (a partir dos poderes dos garotos) saídas para ângulos geniais, com Andrew controlando a câmera com a força do pensamento, evitando muitas vezes aquele chacoalhar irritante do gênero.
O roteirista Max Landis nos traz uma história concisa, revelando apenas o importante para entendermos os dilemas de cada personagem, sabendo dar a profundidade emocional devida a cada um, demonstrando também onde suas ambições os levarão.
Aliás, ambição é um problema para os garotos, principalmente para o que se revela desde o início o mais poderoso: Andrew. Como diria Tio Ben, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Só conhece o valor da força, quem um dia foi fraco. Mas, com um poder sem limites (o título brasileiro é muito melhor que o original), onde irão chegar? Afinal, poder demais corrompe.
Talvez, os personagens sejam meio clichês: o nerd-virgem-tímido-traumatizado, o popular-do-colégio-candidato-à-presidencia e o mais ou menos, o popular sem esforço.
A tragetória do protagonista é bem construída pelo diretor novato Josh Trank (ele havia apenas dirigido alguns episódios para a série The Kill Point, de 2007), e o filme inteiro prende, não tendo as chamadas “cenas monótonas”, características também desse estilo de filme. Os efeitos especiais são um show, as cenas dos garotos voando são muito boas, e boas sequências saem do período em que testam seus poderes, vandalizando geral e rendendo até boas gargalhadas. O modo como Trank traz à luz os segredos dos corações dos personagens, o modo como mostra que são apenas adolescentes podendo fazer o que quiserem, é realmente inovador – embora seja clichê. Sim, é contraditório. Mas funciona.
Ao final (o clímax é com certeza, o ponto forte da película), há aquela velha chamada para uma continuação, hábito velho de Hollywood, quando vê que o negócio pode render. Detesto esse tipo de coisa, muitas vezes a continuação sai forçada e ruim, desnecessariamente feita por causa do dinheiro, mas uma coisa posso dizer: eu estarei lá, para assistir quantas continuações vierem.

NOTA MECÂNICA: 8,5

domingo, 13 de maio de 2012

2 Coelhos




Edgar (Fernando Alves Pinto) é uma espécie de anti-herói, que já fez muita besteira na vida, viajou pra Miami, aprontou muito lá e agora volta com um plano pra lá de elaborado, onde pretende acertar dois coelhos com uma só cajadada:  ele pretende atingir não só a corrupção política quanto o tráfico de drogas, tudo envolvido e bem amarrado na cabeça de Edgar.
Esta é inicialmente a trama central de 2 Coelhos, filmaço brasileiro com a maior pinta de filme gringo. O responsável por tal proeza é o diretor/roteirista Afonso Poyart, claramente vindo do mundo publicitário e disposto a revolucionar o cinema nacional. E consegue isso sim, com muito estilo.
Inicialmente muita gente pode reclamar, dizendo que ele imita muito os filmes hollywoodianos, mas acho que não seja uma imitação. Ele simplesmente pega elementos bons do cinema em geral e trás pra realidade cinematográfica brasileira, acostumada com filmes que têm sertão, favela, palavrão e bunda.
O filme é frenético. A ação é insana. O modo como o raciocínio de Edgar é mostrado é muito genial, a narrativa não-linear é muito bem feita e o plano... Ah, meus amigos, o plano é “o” plano!
O filme é genial. Ultrapassa tudo o que foi feito no Brasil até hoje. Os atores são muito bons, o enredo por mais fantasioso ou “viajante” que pareça, sabe ser concreto e explicado.
A fotografia escovada é muito boa. A forma como a câmera capta os detalhes é incrível. Desde o suor escorrendo pela testa do traficante Maicon (Marat Descartes) quando sua mãe é xingada, até a bala por dentro do cano indo em direção ao seu alvo.  As pirações de Edgar, as inúmeras referências pop e nerd, os diálogos afiados... Tudo muito bem feito!
Poyart com certeza, além de diretor é cinéfilo. E soube pegar muita coisa boa de seus diretores favoritos. É impossível assistir 2 Coelhos sem ver coisas ali de Guy Ritche, Zack Snyder, Mark Neveldine e Brian Taylor e principalmente Quentin Tarantino, com seu Pulp Fiction.
A trilha sonora é muito boa. Os efeitos especiais também são bons, mostrando que o Brasil tem potencial sim pra fazer grandes filmes de ação!
Uma merecida surpresa no cinema nacional, que consegue inovar e diferenciar e por isso tem todo o crédito na minha opinião. Se você gosta de filmes inteligentes de ação, de filmes dos diretoress citados e quer ver uma inovação brasileira (que inclusive já teve os direitos autorais comprados por Hollywood, que vai fazer o seu próprio remake) não perca 2 Coelhos!

NOTA MECÂNICA: 8,0

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os Vingadores



Desde 2008 (quando lançou O Incrível Hulk e Homem de Ferro) a Marvel Studios vem anunciando que planejava fazer algo grande, épico, engenhoso. A partir das pequenas aparições dos personagens de agência S.H.I.E.L.D. (nos filmes são Nick Fury e Agente Coulson, interpretados por Samuel L. Jackson e Clark Gregg respectivamente) que se seguiram também para o segundo filme do Homem de Ferro, Thor e algumas ligações também com o de Capitão América, podíamos perceber que aquele papo de “uma equipe extraordinária” acabaria num filme: Os Vingadores. E o glorioso dia de estreia chegou aos cinemas brasileiros no fim de abril de 2012. E meus caros, Os Vingadores era tudo o que os fãs e nerds queriam e mais um pouco!
A história do filme não trata de explicar muita coisa não, portanto você terá que ter assistido aos outros filmes para entender este. Na trama, Loki (Tom Hiddleston, perfeito e bem a vontade no papel) vai à Terra - depois de ter se refugiado e conseguido cúmplices em outra dimensão – para conseguir uma fonte de poder que ligue ambos os mundos, o que irá causar um estrago imenso no planeta, caso consiga atingir seus objetivos. A S.H.I.E.L.D., que é a superintendência que lida com tais ameaças foi pega de surpresa e perde muitos de seus agentes. Então, o diretor Nick Fury inicia o “Projeto Vingadores”, que é o plano de reunir as pessoas com poderes extraordinários já citadas para proteger o planeta. Reúnem-se Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Viúva Negra (Scarlett Jonhansson) e os agentes Coulson e Maria Hill (Colbie Mulders).
O filme é um prato cheio pros fãs dos filmes da Marvel e principalmente pros fãs de quadrinhos. Arrisco-me a dizer que é o melhor filme de heróis de todos os tempos. O roteiro é bem amarrado, os atores estão bem à vontade e a ação é perfeita. O humor é bastante equilibrado e vem nos momentos certos.  A história sabe reunir todos os filmes já passados e ser também bem fiel às histórias em quadrinhos. É incrível como conseguem se basear nos Vingadores clássicos, nos do Universo Ultimate (no caso, Os Supremos) e também na própria mitologia criada nas telas. O resultado é muito satisfatório. O roteiro do próprio Joss Whedon (que é também o diretor do filme) é muito bacana, sabe dar espaço e conflito próprio a cada personagem na tela, sabendo dividir o momento e a profundidade essenciais pra cada um durante a película toda. Os personagens são bem desenvolvidos (o único que achei que poderia ser mais explorado por conta de seu passado foi o Capitão América), as situações bem explicadas, a história toda bem convincente.
Talvez eu tenha achado alguns errinhos inúteis cronológicos, mas nem irei comentar aqui. São tão irrelevantes junto ao filme todo, que ignoremo-los. O importante aqui é assistir e reassistir o filme. Talvez tenha sido o filme que mais esperei em toda minha vida. Talvez tenha sido o filme mais esperado de muita gente!
É incrível o resultado que produz, principalmente nos mais veteranos. Meu pai só faltava pular da cadeira vendo as cenas de ação com o Hulk. Falava que quando criança (nerd desde guri) lia as revistinhas e sonhava com algo na mesma proporção das histórias que lia, mas que nunca era satisfeito. Pois agora foi, pai.
Os Vingadores é o filme do ano. Não tem pra ninguém! E todos os elogios que recebe, são merecidos. O humor do filme super ácido (o troféu “Troll do Ano” deveria ir para Tony Stark. O Hulk também está hilário – e destrutivo. Definitivamente um Hulk de verdade!), a trilha sonora é encaixada de forma bastante bacana e o clímax (destruição geral na cidade à lá Michael Bay) de arrepiar!
Encerrando, Os Vingadores é tudo o que eu queria que fosse. Consegue realmente surpreender. Pode ir ao cinema, ver em 3D, gastar seu suado dinheirinho sem se preocupar. É filmaço, daqueles que a gente não enjoa e pede bis!

NOTA MECÂNICA: 9,5